domingo, 26 de junho de 2022

A mídia tem apresentado como resultado positivo da suposta reforma trabalhista a redução drástica de recursos à Justiça do Trabalho. Falta uma análise crítica: qual o trabalhador médio que pode arriscar um recurso sabendo que pode perder a causa e ter de pagar uma fortuna, para sua realidade econômica? Mesmo tendo certeza de seus argumentos, quem confia numa decisão judiciária no Brasil? Enquanto a empresa tem advogados à disposição, o trabalhador sabe que pode perder acima do suportável. É certo que havia facilidades que estimulavam os recursos sem chances, mas a solução não seria a adotada.


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quarta-feira, 22 de junho de 2022

 Junho 2017 Podres Poderes

O ministro quer bater recorde de casuísmo. Mas bastaria lembrar que, em última instância, quem não deve teme menos. Na lógica dele o bandido pode agir fora das regras, mas a defesa da cidadania tem de cumprir todos os rituais e barreiras intencionalmente criadas pelos poderosos para nunca correr riscos de ser apanhados.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

 CONGRESSO A FERRO E FOGO    2017   maio

A mim me dá arrepios ver a figura sinistra do Sr Meireles circulando muito à vontade entre as chamas do Congresso, pressionando pela votação de reformas às pressas com o falso argumento de que a saída da crise do país depende disso, grossa mentira porque as reformas trabalhista e previdenciária só fazem efeito em longo prazo e sendo matérias que cortam direitos e benefícios sociais não poderiam ser decididas dessa forma suspeita e matreira, com o congresso votando para demonstrar apoio ao governo no troca-troca e não pelo conteúdo substantivo. Se o congresso quer dar a impressão de normalidade que vote matérias supérfluas da sua rica (sic) pauta.

terça-feira, 24 de maio de 2022

 Criação artificial de mercado para advogados (até onde isso vai?)

Alguns anos atrás a ocupação de jornalista foi dispensada da exigência de curso superior, supostamente em nome de uma sociedade democrática e sem restrições como a obrigatoriedade do diploma, que segundo esses impostores deve ser combatida. Liberaram, a pedido dos patrões, claro. Infelizmente alguns jornalistas notórios apoiaram essa falácia. O exercício de jornalista exige métodos e técnicas de tratar a informação além da obrigatoriedade do uso ético da profissão.
Já os advogados só aumentam seus espaços laborais, usando de sua força para impor novas obrigações à cidadania. Cada vez mais metem o advogado em questões que não lhes competem necessariamente. Onde fica o direito do cidadão de escolher se quer ou pode gastar dinheiro com esses profissionais, que onde se metem quase sempre oneram os serviços e não estão obrigados a falar a verdade, podem mentir ou omitir para defender uma causa e nem precisam provar que são legais os recursos usados para lhes pagar. Ou seja, não são profissionais obrigados à transparência. Agora mesmo elevam o custo da transmissão de propriedade em caso de herança incluindo a obrigatoriedade da presença do advogado quando o ambiente cartorial já seria suficiente para garantir lisura do processo. Os advogados têm muita força em países que propositadamente não tratam a justiça com transparência e costumam fazer leis de difícil compreensão. Estendem indefinidamente sua presença no mercado de trabalho, de forma cativa. Isso não fere o direito do cidadão de escolher como quer se defender? Por que então obrigar-nos a suas presenças? (que meus amigos advogados me perdoem, eles são as exceções).
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domingo, 22 de maio de 2022

 Indícios severos do que vem por aí! 25/ 03 /22

Reparem que Bolsonaro se sente confortado com os números das pesquisas, Senão estava aí acusando e condenando. Já conhecemos que as pesquisas mudam quando têm de mudar. O novo vice continua militar e agora mais jovem e ativo. O perfil construído pelas esquerdas é confuso e mais divide que soma. E seu perfil é de mais do mesmo.
Bolsonaro não foi visitar Putin à toa. O mundo está claramente dividido e um dos lados é autoritário, individualista, contra a ideia de democracia, que considera sinônimo de fraqueza. E isso é só o começo...

sexta-feira, 20 de maio de 2022

 A REALIDADE DO VAR

Eu venho lutando para convencer meus parceiros de Facebook que o VAR significa transferir os erros do juiz pra dentro de uma cabine fechada onde o juiz fica invisível, cometendo seus erros sem observadores.
Desde o tempo em que eu dizia para o primeiro juiz dos juízes, "Mario Vianna com dois enes". que o árbitro foi um "soprador de apito", de volta de alguma filmagem no estados da federação.
Tenho repetido que o Flamengo vinha sendo ajudado porque todo árbitro sonha virar comentarista da Globo e a Globo significava Flamengo. Agora um articulista do Globo comprova tecnicamente que o VAR pode mudar um resultado e por ironia demonstra isso com um gol legal do Gabigol anulado pelo VAR. Basta ler o comentário no Globo deste sábado. Mas pra os preguiçosos reproduzo aqui, com méritos para a empresa Globo.
Gustavo Poli: Gabigato de Schrödinger
Quando o VAR escolhe um quadro, a nuvem de possibilidades colapsa, e Gabigol fica impedido
No início do Século XX, o físico alemão Werner Heisenberg teve uma percepção que revolucionou a física — e lhe valeu o Prêmio Nobel de 1932. Ele enunciou o que viria a ser chamado de “Princípio da incerteza”. Num resumo grosseiro: não é possível medir a posição e a velocidade de uma partícula ao mesmo tempo. Podemos saber onde ela está. Ou quão rápido se move. Nunca os dois juntos. O máximo que podemos chegar é a uma probabilidade. Este elétron tem determinada chance de estar aqui agora. Outra chance de estar ali. Onde ele está realmente?
Onde estava Gabigol quando a bola deixou o pé de Everton Ribeiro? A tecnologia, em tese, nos permitiria captar o exato instante em que bola e pé do passador se tocavam, certo? Errado. Mesmo com os 30 quadros por segundo de uma transmissão HD... por vezes essa imagem se perde. Foi o que aconteceu no último domingo na partida entre Botafogo e Flamengo.
O impedimento sempre foi a regra mais inaplicável do futebol. A lei exige que o olhar humano do bandeirinha fotografe a posição do jogador-alvo no instante do passe. Em outras palavras, o sujeito tem que ter um olho no gato e outro no peixe ao mesmo tempo — algo impossível. O VAR ilustrou essa limitação e nos apresentou os nano-impedimentos, em que milímetros numa imagem borrada definem partidas ou campeonatos. Todo juiz de VAR hoje é uma espécie de velocista com microscópio: o sujeito tem que decidir, com rapidez, as bordas de um atleta pixelado... marcar ombro, tronco, pé... e ai daquele que errar.
A graça do futebol está na imprevisibilidade. É o esporte de massa em que o fraco pode derrotar o forte. A arbitragem sempre foi um fator extra dessa equação. Mas a profusão de câmeras e novos ângulos começou a expor erros muito crassos. Depois de muito resistir, a International Board entubou o chip na bola e o VAR. Agora vivemos uma outra era: a dos micro-acertos, do detalhe ínfimo, do fiapo de cabelo decisivo.
O princípio da incerteza é uma das bases da Mecânica Quântica, a Física que explica o mundo micro. Conciliá-la com a Física Clássica (que explica o mundo macro) é um dos grandes desafios da ciência atual. A Fifa resolveu sua incerteza com uma decisão objetiva: se a câmera não captar o momento do toque, deve usar o fotograma seguinte. Foi isso que anulou o gol do Flamengo. Gabigol estava em posição legal e impedido ao mesmo tempo até o momento em que a realidade — em forma de VAR — fez sua escolha.
Em 1935, o físico austríaco Erwin Schrödinger concebeu um experimento mental que ficou famoso por ilustrar as possibilidades quânticas. Imagine um gato numa caixa com um frasco de veneno. Não sabemos, em determinado instante, qual a situação do felino: se o vidro se quebrou, se ele está vivo ou morto. Logo ele está num estado “vivomorto”. Se abrimos a caixa, porém, a observação define o estado do gato — ele passa a estar vivo OU morto.
Em suma, quando o VAR escolhe um quadro, a nuvem de possibilidades colapsa, e Gabigato de Schrödinger fica impedido. É quase uma ironia ver essa jogada-experimento no mundo da gravidade e das grandes esferas. A caixinha do futebol, já diziam os antigos, é repleta de surpresas.
Mais uma prova de que não falo besteira nem provocação ao Flamengo. Fui repórter esportivo por quase 20 anos e viajei com a seleção brasileira de 1958 e com Bangu e Fluminense ao exterior, entre dezenas de outros feitos. Minha idade permite-me uma acumulação de experiências, infelizmente. Não posso ser bobo com a lógica.
Tu e Mauricio Magalhães
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quarta-feira, 27 de abril de 2022

 Nossa Democracia Burguesa 27/04/2017


Como se sabe, a revolução francesa foi conduzida pela burguesia ascendente, insatisfeita com os excessos da aristocracia, já mostrando sinais indeléveis de decadência. O povão e a classe média foram apenas massa útil de manobra. Quando o povo resolveu fazer sua própria revolução, foi sufocado a ferro e sangue em 1848 e 1871. A Alemanha teve a tentativa de instalação de um governo socialista bloqueada primeiramente pela socialdemocracia, de perfil moderado, e posteriormente pela violência, com a ascensão do nazismo. Os Estados Unidos já nasceram dentro da concepção politica burguesa, herdeira de uma mistura do liberalismo econômico com o individualismo democrático. Em todas essas vertentes a burguesia prevaleceu vitoriosa, hegemônica. A grande massa, que reúne classe média e povão, está dedicada ao papel subsidiário, de substância ativa. Como parte da filosofia democrática, que orienta suas origens, o sistema fomenta a ideologia e possibilidade formal de circulação entre os diferentes estamentos. Essa ilusão, que contempla minorias seletivas, tem o sentido de alimentar a ideologia e arejar cada categoria com o melhor das demais.
Vivemos numa “democracia burguesa”, com crenças e regras próprias como a igualdade de oportunidades, que pretensamente substitui a aplicação direta da igualdade de direitos.
Como as sociedades cresceram e se tornaram diferenciadas, foi preciso adotar a representação política e aí muda muita coisa. Os burgueses tiveram de disfarçar sua dominação e dividir marginalmente seu poder, ou seja, ceder bocados de seu domínio. Obviamente eles escolheram a dedo onde podiam ceder e onde permaneceria intocável. Transitoriamente, quando oportuno ou necessário, decidem entrar diretamente na representação, mas na maioria dos casos elegem pessoas ou grupos que são de sua confiança. Como as eleições são cada vez mais caras, somente o coletivo capitalista pode bancar um número necessário de representantes como garantia para votar os temas essenciais de seu interesse.
No Brasil recente os gastos eleitorais estão sendo mais controlados e a doação de empresas proibida. Isso pode dificultar, mas não impedirá o exercício de poder por parte da burguesia. E é também necessário acrescentar que ela se dividiu em especializações econômicas que podem apresentar interesses eventual e marginalmente conflitantes, mas nunca nos temas centrais. E a vertente dominante, infelizmente, é a financeira.
Enfim, vivemos numa sociedade (o chamado mundo Ocidental) orientada pelo mercado e pelas diferenças de renda. E sempre que possível deverá prestigiar o individualismo, que se expressa mais notoriamente nos esportes e nas artes.
O mundo ocidental foi monetarizado e tudo o mais segue as regras e a lógica dessa fatalidade.