terça-feira, 25 de junho de 2019

Visão dos economistas

O problema da população em geral é que os economistas não tratam de distribuição de renda, mas adoram a concentração porque têm em mente que os pobres só comem e gastam, são consumidores, enquanto os ricos podem fazer investimentos. Então suas equações buscam a concentração de renda e nunca a distribuição.  A ascendência dos economistas no poder foi mal para a classe media brasileira.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Confusão dos sistemas políticos



Ironias sociológicas: graças à social democracia, mesmo adulterada como ela se apresenta onde se apresenta, a sociedade ocidental onde vivemos teve ganhos impressionantes, materiais e culturais, mais acesso à educação, mais liberdade de expressão, mais participação e consciência social, mais consumo material, mais informação, mais humanidade e muitos mais ainda. Mas justamente esse crescimento humano aumentou também suas exigências e justamente onde ela, a social democracia, não teve êxito porque enfrentava um agente mais poderoso que ela, o capitalismo. Por não ter podido proporcionar melhor distribuição da riqueza produzida pelo esforço coletivo, porque o capitalismo, bom produtor mas inimigo da repartição, impedia sistematicamente a igualdade de oportunidades, porque o capitalismo acumula de forma egoísta (com ajuda dos economistas), a social democracia tem sido punida nos preitos eleitorais onde a população demonstra sua insatisfação com seus limites. Mas o faz -- grande ironia -- colocando no poder, no seu lugar, aquele que impedia a ampliação dos benefícios pela própria social democracia e não vai mesmo proporcionar o que a social democracia não conseguiu. O chamado círculo vicioso, ou o padrão de serendipity.

Milhagens regressivas


Os programas de promoção de milhas das companhias de aviação já se perdeu das origens. Virou mercado persa, com atravessadores e espertezas. E na medida que as empresas lançam mais milhas no mercado, as exigências de pontos\milhas aumentam exponencialmente. Fora as alternativas de somar milhas e dinheiro vivo que por vezes saem mais caras que uma compra direta de uma passagem com a companhia aérea. Não sei se é assunto da ANAC, mas alguma autoridade ligada ao direito do consumidor deveria investigar essa prática desvirtuada de suas origens.

Crise sindical



O governo precisa revisar esse conceito de que todo sindicalista é bandido. É verdade que a maioria dos sindicatos perdeu sua legitimidade por desvios de atitude e desempenho, mas não existe outra forma de defender os trabalhadores diante do poder quase absoluto do capital. Então a tarefa dos governos é legislar e fazer campanha para a recuperação do movimento sindical e não ajudar na destruição dos mesmos. 20\06\19

Os sindicatos precisam reciclar suas práticas, seus objetivos e funções diante das novas formas de organização da produção. E sobretudo precisam recuperar sua imagem, danificada por muitas razões que não vou tratar nessas breves reflexões. Não deixa de ser um enorme desafio para a OIT \ Nações Unidas. A força do capital nunca alcançou a dimensão da atualidade, com uma concentração de renda absurda e uma recente conquistada opinião pública totalmente incoerente com as necessidades e princípios da sociedade. O xadrez está complicado, a falta de consistência das ideias políticas é uma enorme surpresa. Quando avançamos em pleno século XXI, com as conquistas tecnológicas que nos oferecem quase o infinito, temos de enfrentar pensamentos quase medievais que estão prevalecendo no embate eleitoral. A capacidade infinita de comunicação virtual está favorecendo o descontrole mental, criando obstáculos imediatistas que impedem separar a verdade, o real, do falso e da mentira. 

sexta-feira, 10 de maio de 2019

CINEMANIA

Cinema: Ninguém pode negar a importância do cinema em nossa formação.  O cinema é  também uma das formas de aprendizagem para a vida. Além de ser uma fábrica de emoções.  Por vezes nos consola, outras vezes nos faz sair da sala de projeção de bem com a vida. E tantas outras vezes saímos e a sensação é que continuamos dentro do filme na vida real. 
Vamos então destacar, quando oportuno, ou quando nossa memória nos remete a alguma lembrança marcante, alguns filmes imperdíveis.
Acabo dever no cinema Estação aqui de Ipanema o filme Amanda, que recomendo. É a França da atualidade mostrada em um flagrante familiar de forma leve, sutil, mas bastante fiel. 
E na telinha à noite passada revi Gosford Park, de Altman, de anos passados, um retrato antológico das relações de trabalho na nobreza britânica de antanho, mas talvez ainda praticada apenas com adaptações necessárias à globalização social do mundo de hoje.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Previdência Social


Ainda a Previdência: não vou repetir o que tenho dito. Vale sim argumentar contra a entrega de uma questão decisiva para o futuro de nossas gerações nas mãos do mercado financeiro, pois é isso que representa a adoção do sistema de capitalização.  Aparentemente o argumento é sentido como correto, afinal você contribui durante sua vida de trabalho e recolhe sua aplicação no fim dessa jornada. Mas temos o exemplo do FGTS, os juros praticados foram até aqui muito inferiores a outras aplicações e a razão é que o aplicador é cativo não tem muitas opções e o mercado financeiro é extremamente instável. O banco não perde nunca e se houver perda quem vai pagar mesmo é o tesouro. E as perdas são fatais no longo prazo se o país não crescer sempre abundantemente, o que não é garantido. E afinal, se o país crescer fortemente, o emprego cresce e as contribuições à Previdência também cresceriam e não haveria crise na previdência.  A menos que o governo tenha algum recursos metodológico para garantir bons resultados, mas teria de ser contra as regras do sistema financeiro. Isso foi ensaiado no Chile. Nos primeiros 20 anos se mostra como um grande sucesso, pois ninguém se aposenta. Quando os aplicadores alcançam a idade de benefícios começam os problemas. Não li ainda o texto de projeto, argumento  em tese sobre o modelo de capitalização. Tenho a esperança que o governo adote algum sistema de defesa dos interesses sociais. Lembrança recorrente: Na Previdência se trata de um contrato social e isso quer dizer muita coisa.



sexta-feira, 2 de novembro de 2018


Dia dos finados, uma forma de trazer à memória nossos entes estimados e queridos, como se preciso fosse. Na verdade, para os que estamos há muitos anos por aqui, e na medida em que passa o tempo, o que vamos colecionando são memórias, doces e margas memórias. São tantas perdas e danos, tantos pedacinhos de nós que se vão em cada falecimento, que nos transformamos em restos, sobras de balanço. Mas não deixa de ser um exercício que podemos fazer criativamente. Há mortos que crescem depois de ausentes, como naquela tese de que só nos damos conta do valor de uma coisa depois que a perdemos. Ela cresce em ausência. E aos poucos se transformam em patrimônio pessoal intransferível. Meus mortos, com seus pesos e medidas afetivas, são hoje meu maior patrimônio e eu encontro em cada lembrança deles um prazer já irretocável, um instante que valeu, uma palavra que emocionou, um presente que deu alegria, uma flor que propiciou enorme prazer, um reconhecimento que naquele momento foi sublime, em cada memória eu recolho uma joia, e a presença ausente de cada lembrança se torna uma flagrância de suave perfume que nos dá um pouco mais de energia para seguir caminho até nos tornarmos nós mesmos uma lembrança.

terça-feira, 23 de outubro de 2018


O Supremo, infelizmente, vem dando sucessivos tiros no próprio pé. Vem colocando em risco suas prerrogativas e obrigações constitucionais. Há tempos que tenho entaladas na garganta algumas verdades que eu gostaria de dizer pro Supremo. Mas até isso fica difícil porque alguns de seus membros são vingativos e usam abusivamente seus superpoderes para processar seus críticos.  Como foi feito com um grupo de jornalistas que sofreu o diabo com todo tipo de malandragem jurídica que um ministro da Corte jogou contra o grupo,marcando audiências em lugares distantes e outras mesquinhezas.

domingo, 21 de outubro de 2018




As contradições da cidade carioca

Outro dia à noite, mais ou menos às dez horas, eu voltava do Shopping Leblon com meu filho Lucas quando fui advertido por transeuntes para não atravessar o Jardim de Alah porque uma garotada da Cruzada estava jogando pedras ao azar. Eu andei mais um pouco até uma distância mais próxima, mas ainda prudente para observar e avaliar a situação. Foi quando um garoto mais velho do bando me fez sinal positivo para minha travessia. Tive de decidir em poucos segundos, mas fui em frente e com a conivência e acompanhamento de todo o grupo eu cruzei o Jardim em segurança.  Já no final o último garoto me soprou baixinho: estamos apenas nos divertindo. Depois da experiência com o 474 eu devia estar mais assustado, qual o quê, são coisas que só nessa cidade.