sábado, 20 de fevereiro de 2021

A derrota de Trump salvou (por enquanto) a civilização ocidental. Como assim?

Trump era o líder inconteste de uma nova corrente política que aproveitou a novidade então desconhecida da publicidade direcionada a perfis específicos, graças à informática com a internet e os robôs. Foi o primeiro político eleito com essa nova arma. Obama havia iniciado o processo, mas sem todos os recursos que vieram depois. Veio então o grande teste com o BREXIT, e o resultado sabemos. No dia seguinte a população inglesa amanheceu derrotada e estarrecida. Alguns poucos países europeus foram ajudados e pela importância do Brasil a aplicação por aqui teve requintes que aperfeiçoaram o modelo. Um governo radical de direita capaz de fazer crer nas massas qualquer ideia por mais absurda como a Terra plana e outras barbaridades. Por isso era fundamental e considerada certa a vitória de Trump e sua revolta com a derrota porque não podia acontecer se consideramos o programa técnico desenhado. Trump tem razão, era impossível perder. E com Trump e seus seguidores estava montado o desmanche das conquistas civilizatórias iniciadas no pós-guerra e obviamente ainda não completadas, mas acumulando um significativo conjunto de benefícios e ganhos sociais e culturais, que ultimamente têm sido atacados, basicamente nos direitos humanos e na proteção ambiental. A noção conceitual de direita e esquerda é operacional, mas neste momento se mostra claríssima. Quem defende a exclusão social, a educação conservadora, a economia liberal e condena as entidades internacionais que buscam resolver os problemas entre as nações com a negociação, o diálogo e a cooperação está na direita. A esquerda, ao contrário, condena a violência simbólica, busca a cooperação entre as nações, a solidariedade social, uma economia mais igualitária priorizando o emprego, a educação transformadora e a saúde comunitária. E instituições autônomas para zelar pelo cumprimento dos direitos constitucionais.

O mundo que conhecemos se reúne num grupo muito especial de grandes personalidades para estudar o movimento dos grandes blocos civilizatórios. Uma dessas últimas reuniões foi aqui no Rio de Janeiro. O Bloco representado basicamente pela Comunidade Europeia desenvolve os valores herdados da Independência Americana e da Revolução Francesa, com os princípios que conhecemos de liberdade, igualdade e fraternidade. Um sistema político representativo e alternância no poder.

A palavra chave é Democracia, mesmo com as adjetivações oportunistas.

 

O VAR


Revoltado com a utilização do VAR para a validação do segundo gol do Corinthians na derrota por 2 a 1 para o Flamengo, neste domingo (14), no estádio do Maracanã, o presidente do Timão, Duílio Monteiro Alves, se posicionou em suas redes sociais cobrando providências da CBF.


Não sou mais o único a afirmar suspeição contra o VAR. No jogo do Vasco o gol do adversário, com cinco atacantes na área, foi o único tempo em que o VAR deu defeito e prevaleceu a opinião do árbitro. Muito suspeito, para não ser logo afirmativo. O VAR precisa ser revisado. Ele tem mãos humanas por trás!!!!!!!!!!!!!!


Em verdade, em verdade vos digo: o campeonato foi conspurcado pelo VAR que transferiu as fraquezas do juiz em campo para  o escondidinho das cabines. Cansaram de prejudicar o Vasco, chegaram a desligar o VAR numa jogada dentro da área do time para validar o gol do Inter. O VAR fez um carnaval de decisões contraditórias, como eu previ. Considerando o mal desempenho de todos os times acho até que o  Flamengo, não merecendo, como os demais, foi o que apresentou uma equipe de maior qualidade.


sábado, 30 de janeiro de 2021

 



Jogo muito disputado, sobretudo no primeiro tempo. O plantel do Flamengo é superior ao Grêmio, mas o Grêmio é mais disciplinado tecnicamente. O segundo tempo foi dominado pelo Flamengo, mas ficou uma sensação ruim no ar: O Grêmio foi totalmente dominado. Surgiu uma versão sobre a entrega do jogo pelo Grêmio, para o Flamengo encostar no Internacional. Para quem duvida, lembrem do último Campeonato Brasileiro ganho pelo Flamengo, quando o Grêmio entregou o jogo no Maracanã porque e tivesse ganhado, o Internacional seria o campeão brasileiro e não o Flamengo. Então já houve um caso demonstrativo. Aliás, nesse campeonato houve também a entrega mais notória e vergonhosa que eu conheço do futebol (exceto algumas em campeonatos mundiais), a entrega do Corinthians no interior de São Paulo (não fariam isso em campo tradicional), até o técnico se fez expulsar para não assistir a vergonha que estava impondo ao seu time. Caro, o Flamengo não tem nada com isso, vai somando os troféus. Mas tudo na vida tem história.



 Éramos felizes e então votamos no PT. Deu nessa incrível merda. O que não quer dizer que os partidos burgueses nos trariam o céu, mas não fariam tanta merda, o PT não deixaria.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021


O que Aconteceu com o PT?

 

Muita pena que o PT se tenha descarrilhado. Era a única verdadeira alternativa política aos velhos e viciados partidos tradicionais, dominados por artimanhas financeiras forjadas pelas classes dominantes centradas no capitalismo financeiro. Uma grande pena para o país, porque além do crime hediondo de roubar o dinheiro público (todos deviam estar presos e submetidos a vexame para dar exemplo), perdemos a chance de viabilizar um partido de esquerda no país.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

 

DIREITA E ESQUERDA, VOLVER?

Essa polaridade de esquerda e direita, direita e esquerda, nasce como se sabe na Assembleia Francesa no contexto da Revolução de 1789. Era apenas resultante da colocação dos membros representantes do povo e da burguesia em relação à mesa diretora. Mas seus desdobramentos se avolumam até a atualidade. Durante algum tempo era ruim ser de esquerda e durante outro tempo era ruim ser de direita.

Por acaso a esquerda está ligada a canhoto e canhestro, mal negócio. E a grande maioria da população usa mais a mão direita e o mundo da tecnologia produzia equipamentos e instrumentos que funcionavam melhor com a mão direita. Um instrumento, como a tesoura para uso da mão esquerda requeria encomenda.

No futebol o canhoto é valorizado justamente porque é mais difícil encontrar. Mas fica por aí a diferença, apenas a perna que o jogador usa com mais propriedade.

Na política os dois conceitos ganham sentidos por vezes antagônicos que varrem toda a sociedade. Aqui no Brasil até pouco tempo ser de direita era palavrão. Chegou Bolsonaro soprando o vento dos novos líderes mundiais recém eleitos na onda dos robôs da publicidade dirigida. Essas eleições foram certamente ilegais, mas não havia condições políticas para confrontá-las. O BREXIT foi a demonstração mais chocante, no dia seguinte os ingleses se perguntavam -- o que foi que eu fiz?

Na estratégia global o movimento vinha crescendo, e a quebra do Trump foi decisiva para botar um freio e torná-lo talvez um partido.  O Boris era um líder de peso e o BREXIT foi conseguido com ajuda do Trump. Depois da infecção do Boris ele se tornou mais moderado caminhando no sentido partidário.

Sem Trump o movimento não terá o mesmo fôlego e dependendo do que façam Biden e a Comunidade Europeia poderemos superar essa ameaça impensável anos atrás. Mas não podemos perder a consciência de que a democracia que praticamos não deu conta dos novos tempos e vai precisar se reciclar substancialmente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

 

A derrota de Trump salvou (por enquanto) a civilização ocidental. Como assim?

Trump era o líder inconteste de uma nova corrente política que aproveitou a novidade então desconhecida da publicidade direcionada a perfis específicos, graças à informática com a internet e os robôs. Foi o primeiro político eleito com essa nova arma. Obama havia iniciado o processo, mas sem todos os recursos que vieram depois. Veio então o grande teste com o BREXIT, e o resultado sabemos. No dia seguinte a população inglesa amanheceu derrotada e estarrecida. Alguns poucos países europeus foram ajudados e pela importância do Brasil a aplicação por aqui teve requintes que aperfeiçoaram o modelo. Um governo radical de direita capaz de fazer crer nas massas qualquer ideia por mais absurda como a Terra plana e outras barbaridades. Por isso era fundamental e considerada certa a vitória de Trump e sua revolta com a derrota porque não podia acontecer se consideramos o programa técnico desenhado. Trump tem razão, era impossível perder. E com Trump e seus seguidores estava montado o desmanche das conquistas civilizatórias iniciadas no pós-guerra e obviamente ainda não completadas, mas acumulando um significativo conjunto de benefícios e ganhos sociais e culturais, que ultimamente têm sido atacados, basicamente nos direitos humanos e na proteção ambiental. A noção conceitual de direita e esquerda é operacional, mas neste momento se mostra claríssima. Quem defende a exclusão social, a educação conservadora, a economia liberal e condena as entidades internacionais que buscam resolver os problemas entre as nações com a negociação, o diálogo e a cooperação está na direita. A esquerda, ao contrário, condena a violência simbólica, busca a cooperação entre as nações, a solidariedade social, uma economia mais igualitária priorizando o emprego, a educação transformadora e a saúde comunitária. E instituições autônomas para zelar pelo cumprimento dos direitos constitucionais.

O mundo que conhecemos se reúne num grupo muito especial de grandes personalidades para estudar o movimento dos grandes blocos civilizatórios. Uma dessas últimas reuniões foi aqui no Rio de Janeiro. O Bloco representado basicamente pela Comunidade Europeia desenvolve os valores herdados da Independência Americana e da Revolução Francesa, com os princípios que conhecemos de liberdade, igualdade e fraternidade. Um sistema político representativo e alternância no poder. A palavra de ordem desse grupo está na "Democracia e Direitos Humanos", com todas as adjetivações que sejam. A palavra de ordem do outro grupo é "Livre iniciativa, Respeito aos Direitos Individuais e à Propriedade Privada e Estado Mínimo".

 Os radicais, extremos dos dois lados, praticam distorções perigosas da realidade e da história.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 

Luta Geracional?

Amigos e amigas de 60 anos pra cima.  Além do corona, temos outros inimigos que se mostram cada vez mais ostensivos. É um problema ideológico. Não me estranha, mas não deixa de me chocar o alinhamento dos discursos de Trump e Bolsonaro. A leitura para bom entendedor é simples. Não vale a pena sacrificar a vida e a economia do país por um problema que afinal só vai atingir mais duramente os idosos menos saudáveis. Isso tem um nome na história: eugenia, limpeza étnica, racial e geracional. Simples assim.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Pandemia e Pandemônio




Votei na saída do PT, defendo a alternância no poder, sou contra reeleição, desconfio de urna eletrônica. Não tenho filiação partidária, até hoje, com 83 anos, nunca tive um governo que pudesse chamar de meu. Fui Secretário Nacional do Trabalho no governo FHC mas isso não me obrigava à política do presidente e fiz o que pude para dar à minha Secretaria uma função de Estado não de governo. Colaborei com Dona Ruth na política social e fiz abertura com Centrais Sindicais sem olhar a cor partidária, trabalhei muito próximo da CUT sem que fosse censurado. Minha posição profissional sempre foi de independência. Se hoje critico mais uma vez o governo de ocasião é porque mais uma vez não me espelho no que observo. Esperava um governo que trabalhasse para unir os brasileiros num programa de desenvolvimento com promoção da redução da desigualdade de renda, promovesse o emprego e a pequena empresa. Que tivesse um programa revolucionário para a educação, a saúde e a cultura, num país de extrema riqueza ambiental e significativa diversidade cultural.
Diante da pandemia que agora enfrentamos, esperava que o governo estaria lutando em todas as fronteiras para promover a solidariedade, a proteção dos pobres e informais e necessariamente o sistema de saúde estaria em melhores condições para dar as respostas certas, com leitos, equipamentos e recursos humanos apropriados.
Tudo isso passa longe do governo atual. Não vejo nem mesmo sensibilidade humana,  muito menos eficiência e esforço. O ministro da saúde ainda não pisou no solo, continua falando de regras

Estamos vivendo um pandemônio e não apenas uma pandemia. O presidente pratica diariamente a desobediência civil contra si mesmo e seu governo. E as instituições políticas que nos pareciam robustas se mostram esgarçadas, estressadas e fragilizadas pelos métodos bolsonarianos de conflito e pela pandemia pandemonizada. Os ministros escolhidos pelo governo, pressupostos técnicos, com raras exceções, são pessoas inexpressivas politicamente, bizarras e capazes de afirmar absurdos contra a ciência e o senso comum. E as promessas de campanha já não contam, o toma á dá cá já entrou em cena. Na verdade, pouca coisa restou da campanha que não houve. Uma facada absurda (onde estavam os seguranças?) e uma pandemia inesperada alimentam e explicam boa parte do que estamos vivendo (sic). Estamos isolados do mundo, com o Itamarati inexpressivo e equivocado nas escolhas, como mostra a falta de ajudas externas aos nossos problemas sanitários. Mesmo o “parceiro” norte-americano o que nos fez até agora foi bloquear uma suposta carga vinda da China. Mesmo países governados ostensivamente por governos de direita estão praticando o distanciamento social e sendo liderados por seus comandos políticos, ao contrário daqui. Com que estamos passando acho que nem Deus é brasileiro, como prega a cultura popular.
Com exceção das atividades essenciais, não há como explicar o liberou geral que o governo estimula através do presidente que diz atender a pressões de industriais, que ele ouve, enquanto não escuta o grito dos hospitais.   Até Guedes, um liberal à antiga, aceita isolamento social e aceita abrir pedaços do cofre ao lado social da vida, que o governo ignora.
Vivemos um pandemônio, mais que uma pandemia     
O governo atual fica cada vez mais parecido com o anterior, só que não existe ninguém parecido nem de longe com o capitão. Ele é imparável e faz escolhas internacionais já conhecidas como do circuito extremista de direita, com visão retrógrada do mundo e algumas interpretações absurdas mesmo à escola secundária. E utiliza os mesmos recursos promovido pelo Sr. Bannon com robots internéticos e recurso de manada, que só agora estão sendo investigados. E podem falar qualquer coisa que lhes ajude nos propósitos programáticos, sem compromisso com a verdade ou a lógica. Essa cartilha é aplicada por todos os personagens dessa obscura linha de política. Os países, já se sabe: Israel, Inglaterra; Itália, Hungria, Estados Unidos e Brasil, entre alguns poucos outros e em diferentes graus. Todos são contra coletividades, comunidades e organismos internacionais, sobretudo a Comunidade Econômica.
Sobre a questão econômica vale entender:  O setor financeiro está funcionando internamente no essencial, a parte menos importante é a visível; Algumas indústrias mais desenvolvidas estão dando a seus funcionários condições de segurança e estão funcionando; os restaurantes estão melhorando a capacidade de delívery, que já é um investimento para o futuro; As  atividades essenciais para segurança, alimentação e saúde estão em atividade com os cuidados disponíveis (que é verdade, são frágeis e inadequados). O setor moderno da economia está funcionando em home-office. O comércio regular é o mais sacrificado e o imenso setor informal. Para esses em todo o mundo os governos estão assegurando recursos mínimos e é para isso que existem os governos, não é nada extraordinário e os governos vão recuperar no tempo. No caso do Brasil a criminosa e inacreditável pobreza já é atendida (mal atendida) antes da pandemia, essa gente já vive numa pandemia normal de vida.
Então eu pergunto: se estão atendendo os mais necessitados, porque precisam colocá-los na rua antes da hora e de preparar os hospitais regulares e hospitais de campanha em condições para receber a população que vai precisar, pelas deficiências normais da vida e pela natureza vital do vírus.


sábado, 18 de abril de 2020

De Como Aprendi a Amar o Vírus


             por JCA

Já muito se tem falado sobre o novo vírus que se desprendeu da China e inunda o mundo de forma inesperada, embora previsível. Agora que o fato se instala, vemos em diferentes fontes que não faltaram advertências sobre essa possibilidade.
Fato: missão americana para fiscalizar encomenda feita pelos Estados Unidos a um laboratório na China, não sabemos com que proposito, constatou que havia falhas de segurança e recomendou medidas corretivas. Nada foi feito de ambas as partes.
Essa mania chinesa e de outros povos orientais de pesquisar e até se alimentar de bichos estranhos a nossa cultura tem sido visto com curiosidade, mas sem seriedade. Não é a primeira epidemia brotada dessa prática. E parece que não será a última.
A guerrinha entre as duas potências mundiais não teria importância não fossem as repercussões para o resto do planeta. O egocentrismo de ambas é inaceitável, mas não podemos fazer nada a respeito.  As grosseiras falhas e vícios do capitalismo de livre mercado levaram por concorrência desleal e oportunismo empresarial a essa distorção absurda de concentrar a riqueza comercial nas mãos da China.  O preço que estamos todos pagando neste momento é infernal, com enorme custo de vidas em todas as partes.  A responsabilidade da China pelo desastre é inquestionável, mas a quantidade de acumpliciamentos deixa um rastro profundo no resto do mundo.
Infelizmente a culpa tem sido jogada na democracia e nas liberdades democráticas, inclusive nas formas políticas de representação. Acusação infundada, claro, o mal não está no sistema, que não tem substitutos melhores, mas na vigência de dois vícios poderosos: os economistas liberais e neoliberais, e a vida política das nações, ocupada por estamentos familiares e cultura destorcida do conceito da coisa pública.  A sociedade democrática é por definição uma instituição frágil, que depende de consensos difíceis de lograr, o que abre espaços para oportunismos autoritários e viciosos.  Mas não existe um sistema melhor no mercado do desenvolvimento humano e do processo civilizatório.
Na verdade, a democracia foi violentada pela globalização desenfreada e mal interpretada que abriu mercados para os mais poderosos que dividiram o mundo a seus interesses distribuindo funções secundárias para países fornecedores de matérias primas e importadores de produtos industrializados. Em nome dessa globalização imposta de cima para baixo, países menos fortes politicamente se voltaram para explorar e destruir seus bens naturais de valor econômico episódico e abdicaram de economias substantivas, robustas e sustentáveis, que poderiam gerar empregos saudáveis e uma vida humana mais confortável e qualificada e se tornaram subsidiários do mundo globalizado  a sua revelia. A riqueza produzida por esse modelo foi concentrada em meia dúzia de nações e numa classe de empresas multinacionais, donas das transformações científicas e tecnológicas. O que as novas tecnologias puderam gerar em riquezas foi concentrado como nunca antes nas mãos de entidades institucionais superpoderosas, acima dos países e das organizações internacionais coletivas.
Com objetivos puramente explorativos, dominadores e imediatistas, essas entidades sabotaram quaisquer esforços dirigidos à conservação do planeta Terra.  E criaram uma ideologia à sua feição que faz do individualismo e do livre arbítrio recursos espertos de argumentação distorcida dos próprios conceitos. Como em toda ideologia os prejudicados são seduzidos por astutas armações que fazem parecer seus interesses coincidentes com os verdadeiros interesses das entidades poderosas, quando devia ser o contrário.
A China se aproveitou das crenças equivocadas na liberdade de comércio e de transações e entrou de sola no mercado mundial violentando todas as regras de direitos trabalhistas e concorrência internacional. Usou seu momento histórico de inauguração de novo modelo político rompido com o maoísmo e voltado para as oportunidades de crescimento internacional, considerando suas dimensões continentais e sua cultura acostumada à obediência ancestral.  Os organismos internacionais foram apanhados de surpresa e não souberam como reagir às violações de regras recém forjadas na implantação de sua novidade encantada do neoliberalismo. Como podiam condenar a China se defendiam a liberdade total de mercado? Os limites disso estavam e ainda estão indefinidos. No começo os produtos chineses eram mal vistos e por isso tolerados, mas aos poucos foram convencendo aos consumidores menos exigentes e de menor poder de compra. Logo foram subindo de patamar e hoje são dominantes em todos os sentidos. Mesmo Trump cedo se deu conta que seu país estava nas mãos da China e suas empresas e empregos haviam migrado para o oriente. Não estavam perdendo apenas no sentido econômico, mas na soberania.
Se assim estão os Estados Unidos, que diremos do resto do mundo?  A concorrência desleal, obtida pelos baixos custos de produção, onde os baixos salários e as reduzidas condições de trabalho contavam, forçou países que tinham economias equilibradas e podiam pagar bons salários e manter sistemas de saúde e previdência qualificados, a começar a desmontar suas instituições sociais e o bom trato da coisa pública. Sobretudo entre os países europeus, que eram exemplos de boa administração e sistemas sociais civilizados.
O mundo capitalista, concentrador de riquezas e explorador do trabalho se alegrou com as primeiras experiências de embarcar justificadamente na redução de benefícios de seus trabalhadores, mas logo se viram numa condição subalterna insustentável porque o modelo de exploração e geração de renda estava fazendo água.  Foi o que estávamos enfrentando como crise econômica e financeira até há pouco tempo.
Não preciso replicar como um surto, mal entendido, foi se transformando numa epidemia e logo nessa onda apocalíptica que está arrasando o lado de cá, o lado estritamente capitalista do mundo.
O vírus em si é uma pérola, tem uma falsa debilidade, envolto numa frágil esfera de gordurinha, indefeso, modesto. Mas se colocado frente a nossas defesas já gastas pela idade ou pelos maus costumes e má distribuição de renda, se deixa penetrar pelas células de nosso corpo e nesse ambiente se fortalece e se multiplica de forma voraz.
Ele é perfeito porque é dificilmente identificado e visível, não tem  um tempo certo de vida, se agarra a qualquer superfície, pode ficar um tempo no ar depois de um espirro ou mesmo uma respiração mais forte, não apresenta sintomas nos primeiros dias mas já é contagioso, o que obriga a um esforço notável de prevenção, um gasto de energia às cegas, e se mostra com um poder letal avassalador. Ele é superior a seus coleguinhas já habituais em nosso convívio desnaturado.
Ele é fortemente darwiniano, atinge mais os menos aventurados, de saúde precária ou de desgaste físico pelo tempo de vida. Um sacana de merda que permite a proteção dos mais ricos e mais bem alimentados.
E por ser perfeito em suas intenções e destinações, ele não pode ser um produto da natureza. Apesar da lenda de perfeição, a natureza é imperfeita, ela se deixa tocar decisivamente pelo ser humano, ela depende de condições atmosféricas e ambientais e seus elementos estão sempre em conflito, morrendo e renascendo. Só em laboratório se pode criar um objeto com tamanha competência. A corrente científica tem atestado que não parece criação de laboratório, mas não tem certezas e não quer depreciar o trabalho de pesquisa, que, é verdade, faz mais bem do que mal à humanidade.
Estamos todos ou quase todos de quarentena, mas cada quarentena é uma quarentena. Muitos estão em suas ilhas paradisíacas, nos seus sítios e fazendas esperando a praga passar. Muitos contam com recursos técnicos e médicos de qualidade à disposição para se acaso, Muitos outros estão amontoados em pequenos ambientes mal preparados e mal cuidados. Muitos estão obrigados a trabalhar por dever de ofício ou ameaça de dispensa. Há todo tipo de quarentena ou meia quarentena. Não por culpa do vírus, mas dos que se descuidaram dele na China. E de nossos governantes de todos os tempos que nunca ofereceram à população uma qualidade de vida sustentável.
Propor critérios de escolha de quem vai morrer quando os recursos técnicos são limitados tem mostrado a ideologia corrente, mesmo entre os médicos que juraram perante Hipócrates defender a vida. Eu não vejo outro critério senão a ordem de chegada. A não ser em última instância quando a medicina já sabe que não tem saída e apenas pode fazer o que costuma fazer nos hospitais particulares, ficar ganhando tempo e dinheiro. Fora disto deve valer a precedência. No caso brasileiro, onde a igreja impediu políticas saudáveis de conscientização, proliferam os jovens sem amparo familiar e jogados à falta de oportunidades de trabalho, que vão custar muito mais caro à sociedade nos critérios frios da economia, enquanto os idosos estão cobrando o que pagaram em impostos e contribuições  durante uma vida, do tempo que havia emprego  e sistema de previdência razoavelmente financiados.  Não pode haver escolha da inspiração darwiniana.
Nem vou discutir a necessidade, por falta de recursos técnicos, do distanciamento social e do isolamento, tão desumanos, mas sem alternativas, exceto para super-homens como o capitão presidente (que por dever moral de seu cargo público, tinha de divulgar o resultado de seu teste, embora certamente fosse gerar mais discussões sobre a credibilidade do resultado).
Quanto ao futuro, existe um amplo leque de crenças e expectativas, mas tudo depende de nossa visão mais otimista ou pessimista do que pode o ser humano.
Por fim eu penso em quem vai me devolver o outono carioca, a época mais linda da cidade, com seu clima ameno, suas festas juninas, suas praias menos cheias, seu por de sol confortado, sua música contagiante, suas tribos, sua diversidade, sua alegria?


quinta-feira, 26 de março de 2020

Negócio da China





Pode ser que a China não tenha culpa, culpa envolve intencionalidade.  Mas certamente é responsável pela origem e extensão da peste que nos assola a quase o mundo inteiro. Podia até ser considerada a primeira e verdadeira guerra mundial, pela amplitude que tomou (o que chamamos guerras mundiais implica um preconceito, pois era coisa entre as potências da época, os demais entraram de gaiatos). No meu tempo de criança um “negócio da China” significava um muito bom negócio, possivelmente ligado ao lucro com a comercialização da seda que fazia o encanto das mocinhas mais ricas e enriqueciam os mercadores em todo o mundo, por aqui os cacheiros viajantes.  Eram realmente lindas as estampas, o tato e até o cheiro eram inebriantes.  Teve ainda a pólvora, descoberta por acaso, mas também muito apreciada mundo afora. A China é um universo deslumbrante e sempre nos seduziu para o bem ou para o mal.  Tempos atrás o produto da China era precário, coisa barata que os mais ricos rejeitavam, embora fizesse a festa da periferia. No mundo do trabalho fez uma razia, explorando operários em condições aviltantes de trabalho. Mesmo os autos, que copiavam modelos ocidentais, eram depreciados. Não sei a ginástica que deve ter feito a OIT (Organização Internacional do Trabalho) para engolir os abusos do negócio chinês. Da China de hoje não preciso de ocupar, está em todas as mídias diariamente e avassaladoramente nas transações internacionais. 
Por enquanto o que nos cabe é conseguir ajuda da China para vencer o desafio da peste. Mas acharia justo buscar adiante uma compensação pelos danos vitais, materiais e morais que sua negligência ou incompetência em gerar ou frear a peste está causando ao mundo. Isso não é omitir que parte do que sofremos é resultado de anos de sacanagem dos nossos governantes, que esbanjam nosso dinheiro (maiormente vindos de impostos) em corrupção, incompetência e burrice administrativa, sem falar de ideologias desviantes dos verdadeiros caminhos civilizatórios que a sociedade precisa trilhar. Nossos governantes também deviam nos pagar de seus bolsos, seguramente recheados imoralmente pelos danos que nos causam. Vocês acham que vão aprender com a experiência do drama atual?