quarta-feira, 16 de maio de 2018

Supremo



O Supremo está claramente dividido entre os que acham que o direito é uma coisa abstrata distante da vida real (para não entrar em outras suposições perigosas) e os que tentam se aproximar da nossa realidade e sabem que precisam botar o país a limpo. A onde vai levar isso? Espero que os realistas ganhem a parada, para bem do país.

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Quer que eu entre nas tais "suposições perigosas"?   Precisa desenhar?


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Gilmar Mendes devolveu Cabral ao Rio porque sua transferência ao Paraná teria sido coisa pessoal de seu colega juiz que aparentemente ele não respeita, e ignora que Cabral foi transferido porque era impossível frear seu poder dentro do cárcere onde montou uma balneário de luxo. Onde será que estamos se o Supremo passou a cuidar da coisa doméstica? Será que a pauta do Supremo é tão folgada que dá tempo de tratar de pequenas mutretas?


Supremo

O Supremo tem sua chance de corresponder à grandeza que dele se espera e mostrar-se ao país como um verdadeiro marco da pátria, renunciando com alarde a esse acinte contra o povo brasileiro. Está claro que Temer está chantageado, e é obvio que também ele não vai mostrar qualquer atitude superior a suas pernas. Parece que o povo vai ter de voltar às ruas, agora com uma tarefa bem mais difícil de captar numa palavra de ordem.
É o que sempre digo, toda vez que se anuncia uma reforma nesse país é para cortar benefícios dos trabalhadores públicos ou privados. E que dizer dos aposentados? Os dirigentes do país são cretinos, abusam da ignorância de muitos brasileiros, que eles exploram com suas escolas falidas e sua saúde negada. Faltam líderes legítimos, com dignidade, consciência do bem comum e visão de estadista. A gente já está cansado de fazer manifesto e passeata, porque não resultam, já não acreditamos nisso,
não geram consequências objetivas, são distorcidas pela classe política que teria de transformá-las em leis.

Serviços públicos


SERVIÇOS PÚBLICOS

A nossa empresa de correios ECT já foi a melhor empresa estatal do país. Depois vinha com altos e baixos ao ritmo do aparelhamento político. Vez por outra coincidia um bom gestor, na sorte, porque a política pouco se importa com desempenho gerencial. O problema algora eu não sei de onde vem nem o por quê. O fato é que cada despacho de uma carta ou objeto pode tomar 15 minutos, com a papelada que o ou a funcionária tem de preencher na hora. Como os terceirizados foram fechados, as poucas agências estão lotadas e uma simples carta pode tomar mais de uma hora para ser despachada. Não há um ministério da desburocratização? Kafka deve estar se retorcendo de prazer em seu túmulo.


Uma das paisagens mais feias e degradantes da Zona Sul da cidade são os carrinhos de mão, às dezenas, arrastando toda tarde pela orla sua tralha de cadeiras de praia e barracas amontoadas, sujas, encardidas, já meio gastas pelo uso, entrecortando o trânsito para um depósito sabe-se onde, para no dia seguinte cedo repetir a rota ao contrário, com o mesmo horroroso efeito visual e trágico sentido laboral. Como pode que as prefeituras sucessivamente não encontram uma saída honesta e inteligente para esse problema diário de nossas praias? São assim tão incompetentes???

São Alexim, nossas prefeituras e mesmo nossos governos estaduais e Federal são completamente incompetentes em tudo que diga respeito à prestação de serviços.
No entanto, fomos bem sucedidos no processo de informatização das Receita Federal e dos sistemas estaduais na cobrança de impostos. A mão que recebe é pródiga, já a mão que deveria oferecer é um desastre.

Agora que o calor está brabo é que vemos a quantidade de ônibus sem ar-condicionado, na esteira da herança maldita do antigo prefeito. Os motoristas dos quentões, os que mais sofrem, às vezes param no meio do trânsito de portas abertas para entrar um arzinho. É de lascar! E onde estará o antigo prefeito?
Ninguém é ex-bispo, ou ex-advogado, ou ex-professor, a pessoa pode não estar em atividade, mas continua advogado, professor, sociólogo. O bispo Crivella está governador, e aplicando inversa a lógica de Groucho Marx, ele tem de acreditar na competência de uma igreja que teve ele como bispo. Por isso não estranha a nomeação de colegas pastores. Não estou me prendendo a juízo de valor.


Certo. Mas ninguém é ex-Freixo. Dessa forma, se eleito, ele iria nomear quem? Decerto os fundamentalistas naturebas e direitos humanos pelo avesso. Já reparou que só se hasteia a bandeira dos DH quando se trata de bandido? Parece que, para esses doidos, cidadão não é humano.


Muda prefeitura mas persiste a mesma ganância em cima do consumidor (não somos mais cidadãos). A nova secretária estadual da fazenda mal chegou e já estuda como aumentar a arrecadação do IPTU. Alega que os valores da planta estão desatualizados, o que é verdade, mas ignora que se faz um jogo entre valor das alíquotas e das plantas para não chegar a valores astronômicos com um objeto que tem enorme sentido social, a residência. Para a qual a prefeitura mal contribui. Por exemplo, se ela mantiver as alíquotas mas aumentar os valores dos imóveis para preços de mercado (ilusórios e especulativos) o IPTU pode se tornar impagável para a classe média, mais uma vez sacrificada na conjugação político-ideológica do estado brasileiro. Como o recém falecido sociólogo Bauman aponta "é uma catástrofe arrastar a classe média à precariedade", como fez o PT e fazem sucessivamente os governos por aqui.

É patético ver o governo anunciar com cara-de-pau os cortes em benefícios e rendimentos dos funcionários e do público habitante desse planeta particular carioca como se toda essa merda que o estado vive hoje não fosse em maior parte consequência da incompetência desses mesmos governantes. Tinham primeiro de pedir perdão pela má governância e depois renunciar envergonhados.





Governo e Trabalho




A Terceirização do contrato de trabalho   31\03\17

Está em discussão (sic) e praticamente aprovado um regime trabalhista de terceirização ampla do contrato de trabalho. A resistência sindical faz sentido. A terceirização rompe com alguns postulados importantes da relação de trabalho, como a identidade profissional do empregado com a empresa. Faz parte da ideologia das relações de trabalho que este não poder ser tratado como mercadoria. Para isso os RH foram criados e desenvolvidos nas empresas. Incluem um pacote de serviços e boas práticas, como política salarial, formação, carreira e benefícios sociais.  É bem distinto se você está empregado numa empresa sólida, de imagem prestigiosa, com mística, com nome na praça, que traz orgulho a seus empregados, e outra, terceirizada, criada às pressas para dar conta de um contrato de tempo limitado. Você cria dois gêneros de empregados trabalhando juntos, o autêntico e o bastardo. É o deterioro, o conflito dentro das hostes trabalhistas. Só um governo sem alicerces históricos poderia ter coragem de instituir um regime dessa ordem (sem progresso).
A terceirização já se pratica atualmente, mas apenas para funções secundárias, provisórias ou temporárias da empresa. Agora se está liberando para todas as funções, um escândalo inacreditável, uma vez que isto está sendo feito na marra e sem nenhum beneficio compensatório para os trabalhadores. Podemos afirmar que essa proposta ademais está no bojo de um processo de depreciação e precarização das relações de trabalho. Se assim, quem sabe não deveríamos extinguir de vez o contrato individual e os trabalhadores se reuniriam em seus respectivos sindicatos e o sindicato faria contrato comercial com as empresas, como se pratica em parte nos portos?! Eliminaríamos as relações de trabalho e Marx estaria feliz em seu túmulo, sem mais a exploração do homem pelo homem.

O que entendi do imbróglio

Se é que se pode entender algo na atualidade brasileira. Quando se pensa que chegou a um resultado, eis que novos dados o levam para outro lado. É a algaravia institucionalizada.
Vejamos se é correta a seguinte versão do diálogo Jucá x Machado: Os dois afirmam em consenso que é preciso estancar a sangria desatada produzida pela lava-jato. Não vai sobrar pedra sobre pedra e a elite política não vai aguentar. Então como fazer? Entendem os dois que com Dilma não dá, não porque ela defenda a lava-jato, ela até nomeou um ministro para o Tribunal Superior e outro para o Ministério com o objetivo explícito de frear a sangria. Mas por falta de capacidade e dimensão política de Dilma para armar e sustentar um acordão político. Além disso ela estaria na mira da lava-jato e qualquer coisa que ela faça vai ser logo notada, ou seja, com ela não daria. Então chegaram ao Temer. Só que aparentemente tudo isso ficou apenas na cabeça dos dois, pelo absurdo da concepção, que incluía o Supremo e o próprio Lula.
Afinal prevaleceu o pedido dos autores que conhecemos, que parece não ter nada a ver com as trapalhadas da dupla. Se pegaram carona no pedido, isso é outra coisa.
E nada disso exclui o fato incontestável de que o país não aguentaria mesmo mais dois anos de Dilma, considerando os fatos econômicos que estão sendo mostrados sem contestação do PT.




A Crise Institucional do país:

Está claro que a Lei do Impeachment precisa ser rediscutida. A associação entre uma base técnica e uma interpretação política é uma contradição em si mesma. Se é necessária uma base técnica e uma vez cumprido o requerido, qual o papel que restaria aos políticos? Se eles podem ignorá-la, então não era necessária, era apenas subsídio. Ora, se uma autoridade jurídica os obriga a votar de acordo com a base técnica, então para quê consultar os políticos?  E se eles decidem votar contra a base técnica poderão ser contestados pelo jurídico?
Por isso eu disse em texto anterior que é tudo um faz de conta: os políticos ignoram a base técnica e votam de acordo com seus interesses, fingindo que estão considerando a base técnica, enquanto o jurídico finge que está sendo obedecido.
Outra contradição é a necessidade de passar primeiro pela Câmara para depois passar pelo Senado. Ora, se a Câmara veta tira o direito do Senado de examinar. Se a Câmara aprovar, o veto no Senado soa como reprovação da Câmara, sem chance de reavaliação. Por que não juntar o Congresso para um exame conjunto?
Muita coisa precisa ser revista na institucionalidade do país.









Economia


ECONOMIA

A gente já desconfiava desses frigoríficos, eles se tornaram muito poderosos e afinal estamos no Brasil. Mas agora a gente tem certeza que pode estar comendo merda. Como não podem exportar essa droga, ela fica para o consumo interno. Mas é claro que vão culpar os pobres fiscais que, se destacando de seus coleguinhas corruptos, fizeram a denúncia. E não há nenhuma garantia que os demais frigoríficos estejam bem, apenas pode ser que não apareceram outros fiscais com coragem para fazer denúncias. O fato é que se perdeu o bem mais precioso, a confiança.


No Brasil, os especuladores financeiros fazem a festa. Eles entram à hora que querem, mordem onde querem, chupam nosso sangue na bolsa de valores e na taxa de juros, e quando querem sair do país pressionam a taxa de câmbio para ganhar também na recompra de dólares. Ganham assim duplamente. E nossas autoridades financeiras são cúmplices desse círculo vicioso.
Nos últimos anos venho criticando a política de juros altos e câmbio do Banco Central, que empurra o país para se concentrar na exportação de matérias primas, abdicando de tornar-se uma nação de primeiro mundo. É verdade, reconhecendo que por vezes o Banco teve de correr atrás para tapar buracos da política econômica. Pois agora é um dos pais do Plano Real, Pérsio Arida, (um dos outros pais, não reconhecido oficialmente, é o economista do BNDES meu primo Claudio Abreu) que afirma categoricamente que desconfia da eficácia dos juros altos no combate à inflação. Pois é, por conta desses sucessivos funcionários de bancos emprestados ao serviço público vamos exportando dinheiro para, como dizia o insuspeito – nessa matéria -- Delfin Neto, salvar o lucro dos capitalistas internacionais. Descoberta tardia, mas ainda assim inspiradora.
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No Brasil, os especuladores financeiros fazem a festa. Eles entram à hora que querem, mordem onde querem, chupam nosso sangue na bolsa de valores e na taxa de juros, e quando querem sair do país pressionam a taxa de câmbio para ganhar também na recompra de dólares. Ganham assim duplamente. E nossas autoridades financeiras são cúmplices desse círculo vicioso.

Eu não me detive ainda para entender a tal PEC que está sendo votada à força. Mas se vem do Meireles devemos ter todo o temor do mundo. Como sempre, no Brasil nada é o que parece à primeira vista, temos de examinar os gatilhos e as armações. o que está por trás. O princípio geral pode ser bom, limitar o gasto público, mas em quê? Não queremos simplesmente limitar em saúde e educação, mais que não gastar temos talvez é de redistribuir o gasto. Muita atenção nessa hora, o governo atual tem outros tipos de ruindades, ainda não é o nosso governo.


Gente, é duro assistir a uma estratégia econômica que perpetua o destino de país exportador de matérias primas e importador de produtos industrializados, a receita viciada e quase secular. Isso que dá colocar neoliberal para comandar a economia do país.
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Pérolas burocráticas 

Por quê nas farmácias Pacheco se pede o CPF e em seguida o nome do consumidor? Aliás, em muitas empresas ocorre essa mesma falha de programa informático. Qual seria a razão?
Em nenhum lugar do comércio se pede carteira de identidade, o CPF a substituiu em toda parte. Então por quê não se juntam as duas versões numa só?
Rico não apresenta carteira de identidade, as carteiras são para pobres e classe media.


Por quê a farmácia Raia não dá recibo de caixa com nome do consumidor e é preciso pedir uma nota fiscal?  Tem mutreta fiscal por trás disso?


O que seria um governo de integração nacional?
O país já é heterogêneo de formação, tem agravado os contrastes sociais e agora as divisões políticas. A violência permeia a estratificação social e as diferenças de renda e privilégios. Qualquer saída honesta para nossa sociedade tem de considerar a integração nacional,
1-Estimular a atividade econômica em curto prazo
Estabelecer prioridades para investimento do estado: setores que rendem mais emprego e  tenham uma cadeia produtiva mais longa (multiplicadores de investimentos, criadores de empresas subsidiárias
2- Promover a transparência e confiabilidade nas ações governamentais
Demonstrar com atitudes uma forma de governar mais aberta e participativa, mantendo um diálogo com a sociedade
Promover campanhas de integração social com participação intensiva de setores econômicos e sociais
O Supremo não pode continuar sendo abastecido por indicações políticas. É hora de reformar o órgão, resta saber como, quem vai tomar a iniciativa? O Supremo devia ser composto por eminentes juristas, independentes, com mais de 60 anos, mediante concurso curricular com requisitos seletivos. Para ser um poder independente não pode continuar como até agora.


Corolários políticos

Se o Temer cometeu crime capitulado na Constituição ele tem de ser julgado pelo Supremo e a pena é ditada pelo Supremo de acordo com a regulamentação do crime. Se a pena o impede de exercer uma função política, paciência, prevalece a obrigação com a Constituição e a ordem jurídica.  Se o crime e a pena são de natureza política e não fazem parte do ordenamento jurídico do país, o Congresso pode ditar normas e julgar em função dessas normas internas. O Congresso não pode julgar crime financeiro, que só pode ser julgado pela Justiça se estiver capitulado no ordenamento jurídico do país. Caso contrário o governo é que deverá aplicar sanções de acordo com regulamentação financeira.
Ou seja, ao lado das leis de aplicação jurídica, existem normas e regulamentos de consumo institucional, cujos limites correspondem a não contrariar alguma legislação superior.  Sempre prevalece a legislação oficial que faz parte do ordenamento jurídico do país.


Há muitos modos de você dar uma notícia. Por exemplo, nas páginas do Globo Esporte o Flamengo não perde, não é derrotado, ele apenas sofre, ele sofreu ontem contra a Ponte Preta.  Houve um pênalti contra o Flamengo obviamente mal marcado, o jornal aponta duvidoso, mas não fala que o goleiro do Flamengo defendeu o pênalti irregularmente porque se adiantou um metro da linha de gol e o juiz não mandou voltar a cobrança. Não diz que, como de praxe, os jogadores cercaram o juiz e o jogo esteve paralisado por cinco minutos, que ninguém levou cartão amarelo, que depois um jogador do adversário foi expulso, como quase sempre acontece com adversários do Flamengo, e que o juiz deu mais seis minutos de prorrogação no final, porque o Flamengo estava perdendo.  Não diz que alguns jogadores e não apenas o martirizado Muralha estão jogando muito abaixo do que já jogaram, como Diego e Arão, etc. E não fala mais da confusão e violência da torcida na entrada do Maraca tempos atrás, que ficou por isso mermo.  Me pergunto se Isso é jornalismo, ou é marketing. 


Governo “provisório”

Enquanto eu pensava no grande equívoco que atualmente ocorre no país, como parte de minha tese da crise institucional, vejo que o tema foi tratado por um partido de oposição, em reclamação ao Supremo. Realmente o Temer não podia ou não devia fazer tanta mudança como governo provisório. Era até melhor para ele, e o desobrigava de consertar o país em tão pouco tempo, tarefa quase impossível. E funcionava até como pressão para aprovar logo a saída de Dilma. Temer não teria de fazer nada, só levar o governo em banho-maria. Mas isso não seria desastroso para o país, aguentar mais tempo no caos? Então realmente aí está mais um vazio da lei do impeachment, requerendo discussão e revisão. E sujeito a mais improvisos do Supremo.

A primeira obrigação de um governo é cuidar do bem-estar da população e a geração de renda é um dos principais instrumentos desse objetivo. Governos que falham nessa finalidade deviam ser depostos ou renunciar. Tenho visto chefes de família às lagrimas sem saber como manter sua sobrevivência. Tenho visto um governo provisório aproveitar-se da suposta crise para cortar benefícios e conquistas da sociedade, sem tocar em alternativas que poderiam poupar o sacrifício social. Lamento a falta de verdadeiros líderes políticos com o perfil de estadistas. É grave a situação do nosso país, não apenas pela má economia, mas pela falta de grandeza e virtudes de nossas autoridades.






 A orientação sexual no país se tornou um assunto delicado e complexo, ninguém nega que é importante.
Talvez seja por isso que no Fantástico e nas novelas da Globo o assunto tenha tanto destaque.  Ficou difícil se expressar ou interagir sem o risco de ser mal interpretado.



A REDE GLOBO

Um dos fenômenos mais impactantes da vida brasileira é, sem dúvida, a Rede Globo. Embora possa ser sentida em sua totalidade, na prática ela mobiliza três facções (para usar um termo da moda) que se reforçam mutuamente, mas parece que mantêm significado e ideologia próprios: A Globo Divertimento e Dramaturgia é extremamente qualificada, dá emprego farto à turma do audiovisual, à garotada bonita e dourada e atende a todos os gostos da audiência;  A Globo Jornalismo é muito competente e mantém um viés conservador plenamente justificável (quem quer fazer revolução política não tem que buscar a Globo); e a Globo Esporte, tecnicamente muito qualificada, com uma equipe heterogênea, forte viés paulista e uma parceria espúria com o flamengo. Não há qualquer acontecimento no país que passe ao largo dessa potência nacional (e internacional), que nos enche de orgulho, mas requer extrema atenção para servir mais ao bem.   

Dia do Trabalho


Dia do Trabalho   1 de maio 2018

Em memória do Dia do Trabalho: Antes do neoliberalismo econômico, subproduto do capitalismo afluente, os países tinham a exportação como complemento da economia interna. Praticamente se exportava o excedente do consumo interno, exceto em algumas áreas de produção típica e vocacionadas para a exportação.  Nesse cenário os salários precisavam ser elevados e justos para alimentar o consumo e havia empregos pra gerar os salários. Com a globalização e a preferência pela exportação o emprego e os salários perderam interesse para a burguesia nacional que tirava muito mais lucro com a exportação. Os governos se desvirtuaram e passaram a subsidiar e proteger uma economia voltada para fora, sem compromissos com o poder de compra da população.   Trump estará certo em proteger o emprego interno reduzindo as cotas de importação. Mas duvido que ele mantenha essa política por muito tempo, os Estados Unidos precisam sustentar sua política externa e a ampliação de cotas e um dos instrumentos de fazer amigos.  Já os nossos governos, deus nos livre e guarde, são não apenas incompetentes, mas sobretudo descomprometidos com a geração de emprego. Daí as consequências em cadeia para a violência, a Previdência etc. 

Da Televisão


Da Televisão

Na avaliação da página de esporte do O Globo o jogador Juan, do Flamengo, naturalmente, já aposentado e ressuscitado pelo clube várias vezes, vale 50 vezes os demais clubes cariocas juntos, a julgar pelo espaço destinado. Isso é parte dos subsídios que esse clube recebe para entrar em campo com vantagens sobre os outros. 03\09\17

As novelas da Gloria Perez sempre dão boa audiência, ela seleciona temas de atualidade e faz uma mistura atrativa. E como escreve sozinha não pode ser abundante nos textos. Resultado, os diretores precisam armar as cenas mais longas e silenciosas, e os atores enfrentam o desafio de lances mais arrastados e closes de cinema. Nessa perspectiva o núcleo da Estudantina ganha destaque acima do que seria esperado se fosse apenas parte da pontuação da montagem.  A estruturação dramática é simplória e previsível, os recursos ao rodízio e ao bordão aproximam a novela do Zorra Total. Mas se tá dando certo, pra que discutir com o ouvinte?  03\09\17
A dança está sub representada na televisão brasileira. Por isso se deve saudar a dança dos famosos (muitos não tão famosos) no Faustão. O duro é ter de suportar o Faustão muito acima nos decibéis, certamente com microfone especial. Ele podia nos poupar de ter de estar ajustando o volume a cada cena.  09\17
A autora da novela das nove da TV Globo abusa das licenças poéticas e dos artifícios para dar sequência à sua comédia dramática. Se um fiscal do trabalho visitar a novela vai estranhar suas empregadas domésticas trabalhando 24 horas, dia e noite. O casal vai dormir e elas continuam atentas aos patrões.   28\09\17

A propósito das novelas    07\10\17
Está próxima de encerrar-se mais uma novela das nove da Globo e religiosamente se apronta uma nova aposta que se espera vai concentrar a atenção da família brasileira como atração doméstica noturna, que embala o trânsito entre mais um dia de trabalho, ou de esforço dramático de busca de um trabalho, e o sono reconciliador para manter o ciclo cotidiano vital.
A satisfação que parece ter sido obtida com a presente atração sustenta a expectativa de carregar a audiência para uma próxima.  Sem dúvida a novela das nove, com maior ou menor êxito, tem sido o alimento familiar das noites do brasileiro nos últimos quarenta anos, sem erro, ou com poucos erros.  Quase dava para afirmar que pouco importa o tema, o que garante o sucesso é o horário estratégico consequente da rotina secular da vida urbana, que obriga o descanso após a jornada de trabalho.  Isso dito é forçoso admitir que a novela da Globo tem alguma coisa mais que consegue manter um atrativo que impede que novelas de igual calibre em outros canais tomem corpo, o que só aconteceu por um tempo na época da Manchete. Parte se deve ao que se chama de programação, uma atração segura a outra, mesmo com a disponibilidade do controle remoto. Acho que também por conta de certa agilidade e leveza no tratamento dos temas e desempenho dos atores, quase sempre puxado por meia dúzia de estrelas, atores e atrizes do gosto popular, celebridades formadas na cadeia de programas (de novo a programação). O custo multilateral de sair de noite também pode pesar.
Da novela atual e sua suposta audiência, como já comentei anteriormente, cabem algumas observações: do ponto de vista da dramaturgia a novela é bem simplória, repetitiva, com forte apelo à licença poética e manipulação ardilosa dos fatos para criar suspense. Mas como folhetim ela é exemplar, simplificando as tramas, exagerando nas coincidências, jogando com as expectativas, e provocando acintosamente o expectador, sem compromisso com a consistência interna da narrativa. E sobretudo dando um tratamento leve, quase de humor a todas as cenas. Praticamente todos os personagens assumem certo tom de humor, mesmo nos momentos mais dramáticos. Fora o uso de recursos do gênero como bordões e rodízio das tramas. Nesse sentido a autora mostra mais uma vez o pleno domínio do instrumento e a telenovela acumula mais um êxito como distração das noites da família brasileira. Ponto para a Globo.

O Jornal da Band é o melhor da noite e tem o melhor âncora, Boechat, que é ainda comentarista recomendado. Mas é desagradável de ser visto porque a quantidade de anúncios é absurda. Seria que Boechat usasse o seu prestígio para moderar o tempo de propaganda? Uma pena. 14\10\17

Milton JB Sobreiro
 Há anos atrás, propus uma atividade de pesquisa, a alunos do Ensino Médio, sobre telejornais. Marcamos o mesmo dia e cada grupo gravou um telejornal de uma emissora. Após análise doa tempos usados para cada uma, a produção e a profundidade empregada ao assunto, os alunos chegaram à conclusão de que o Jornal da Band era o melhor, seguido pelo da Cultura, na época com o Heródoto Barbeiro como âncora... o JN foi o pior, na opinião dos alunos de uma escola particular
A atual novela das nove da TV Globo excede no trato de minorias injustiçadas. E falta humor. 14\11\17
21\03\18
Até pouco tempo o Jornal da Band era o melhor telejornal da noite no Rio. Perdeu identidade e se tornou uma geleia geral. Os intervalos são imensos o que prejudica o ritmo do jornal propriamente e se torna insuportável, um convite para trocar de canal, As matérias jornalísticas são poucas, a maioria é matéria de arquivo, sem atualidade e a narração é em off e sem personalidade. Não têm diferença de tonalidade com os anúncios e não se percebe bem os cortes entre propaganda e telejornal.   Uma pena.


Da Sociedade

Maio 2018


Da Sociedade
Enquanto o turismo se tornou uma atividade destacada na economia dos países e na ocupação da sociedade, os serviços prestados são de notória selvageria. Há uma regressão ao capitalismo predatório. Explorando o fato do aumento exponencial de passageiros, as companhias abusam de cobranças de todo tipo, verdadeiras miudezas que reduzem os prazeres de uma viagem, atropelam o conforto e causam surpresas desagradáveis na articulação de trajetos. Criam rigidezes que acabam onerando os custos geralmente já elevados da viagem.  Cobram à parte por assentos, por malas, por parada em escalas, por lugar no avião, por antecedência na compra, etc. Cada empresa estabelece o tamanho da mala permitida, o que pode produzir o fato de um viajante ser barrado no meio da viagem porque sua mala já não atende ao padrão da nova companhia ou do novo trajeto.                                                                                          
Ao mesmo tempo em que os novos costumes acrescentaram o turismo como uma necessidade, viajar se tornou uma jornada de angústias e horrores.  Mas parece que os prazeres compensam a exploração, ou não há mesmo alternativas.
  
Que se cuidem as mulatas, as brancas estão ganhando corpo do mesmo padrão de volumes e curvas, talvez no início graças às malhações e modelagens, mas agora se nota que já entrou no DNA. É a mulher brasileira de qualquer tom, que deixou para trás o tubinho da garota de Ipanema e a discriminação racial.                                                                        

Cultura barulhenta

Ministério da Cultura lembra o ministério da inteligência da Venezuela nos anos 80. A cultura é multidisciplinar e interinstitucional. O certo era ter um programa nacional de promoção dos valores culturais instituídos ou sugeridos na Constituição.  A cultura se expressa nos valores, crenças, atitudes e comportamentos, não se confunde com suas manifestações específicas.
Desde sua criação esse ministério luta para conseguir algum recurso e sempre aplica mal, como recentemente em que foi aparelhado pelo PT e como vemos na campanha nacional das viúvas do PT, que dançaram rolaram com o dinheiro publico. Somente a provisoriedade do governo de plantão explica ter cedido para o barulho das estrelas bem contempladas pelo orçamento da autarquia.
Tudo bem, voltemos com a Cultura, mas por favor desaparelhando o ministério e revisando fortemente os critérios para a distorcida Lei Rouanet.